segunda-feira, dezembro 11, 2017

OS PORTUGUESES E O PATRIMÓNIO



Deparei-me com uma notícia que dizia que entre 2011 e 2016, mais de 83% das pessoas que visitaram os monumentos sob alçada da DGPC eram estrangeiros, o que pode ser uma surpresa para alguns, mas que é um facto muito conhecido no meio.

Estive a ver uma fotogaleria que o jornal online disponibiliza e verifiquei que boa parte dos monumentos escolhidos não estão sob gestão da DGPC, e que não são muito divulgados entre nós, o que explica em parte a pouca afluência de nacionais.

Eu acho que boa parte dos responsáveis pelo nosso Património desconhece em absoluto as publicações turísticas, em diversas línguas, e de diversas editoras, que existem no mercado, e que tão pouco prestam atenção aos jornalistas que visitam os diversos serviços, o que é um erro de principiante.

É de salientar que mesmo assim as percentagens de visitantes nacionais são enganadoras, porque se as visitas escolares fossem descontadas, o panorama seria ainda mais desolador.



sexta-feira, dezembro 08, 2017

quarta-feira, dezembro 06, 2017

GLOBO CELESTE

Hoje trago-vos um globo celeste bem antigo (será o 3º mais antigo que se conhece), feito e assinado por Yunos b. al-Husayn al-Asturlabi, Isfaan (?) Irão, 1144, que está exposto no Museu do Louvre.

Tratava-se de um instrumento de estudo e de medida, um astrolábio esférico e um modelo tridimensional dos céus.

No globo constam as 48 constelações identificadas por Ptolomeu no século 2º. As 1025 estrelas estão assinaladas por pontos prateados, que variam de tamanho de acordo com o brilho com que se observava o astro.


A inscrição gravada por Yunos regista que ele recalculou as coordenadas tendo em conta o tempo decorrido entre o trabalho de Ptolomeu e o seu.


domingo, dezembro 03, 2017

TRÊS MAGNÍFICAS BIBLIOTECAS EUROPEIAS

Estas três bibliotecas europeias são magníficas, imponentes e foram constituídas mais ou menos na mesma época, a sua maior diferença está no facto de as austríacas terem sido terminadas, e já terem sido completamente restauradas no século passado, enquanto que a de Mafra não foi nunca terminada (douramento e pinturas), e também nunca foi completamente restaurada, já que se manteve relativamente bem conservada durante estes séculos.

Nota: Não mencionei um outro pormenor que se prende com a conservação dos livros, manuscritos, e incunábulos, que também foram alvo de grandes restauros no caso das bibliotecas austríacas.


Biblioteca da Abadia de Admont (Áustria)


Biblioteca da Abadia de Melk (Áustria)

quarta-feira, novembro 29, 2017

O PODER DAS RENOVÁVEIS



Depois do recuo do PS na intenção de taxar as energias renováveis, ficam as explicações do governo, que variaram ao longo do tempo, e as razões dos produtores, que até são interessantes.

Segundo os responsáveis da Associação de Energias Renováveis (Apren), “nós (eles) não recebemos rendas, o Estado não nos paga nada”. Ora na realidade o Estado somos nós, e somos nós que pagamos a energia e o défice tarifário, pelo que nessa matéria estamos falados.

As declarações da direcção da Apren continuam e às tantas dizem “o que nós temos é uma tarifa garantida… Se o equipamento avariar não recebo nada.” É curioso que não tenha mencionado o preço de custo de produção da energia eólica e a tarifa garantida, que é muito elucidativa da garantia de lucro chorudo, e quando fala na avaria cai no absoluto ridículo.

O Governo quebrou o contrato com os funcionários públicos, quanto à aposentação, quanto às promoções e até quanto às remunerações, e nunca falou na hipótese de processos judiciais, como fez agora com os produtores de energias renováveis, e isso deixa-nos muito que pensar.



segunda-feira, novembro 27, 2017

COMO EU VEJO O OE PARA 2018

Apesar do que dizem por aí, eu e muitos outros funcionários públicos não beneficiarei do descongelamento anunciado para o Orçamento de Estado de 2018, nem terei qualquer hipótese de subir na carreira, que é horizontal, e muito menos terei qualquer aumento salarial, pelo que tenho que agradecer ao 1º ministro António Costa o facto de ver tudo o resto aumentar (as despesas), o que me obrigará a apertar ainda mais o cinto, o que vem acontecendo desde 2009.

Estou radiante com esta perspectiva e esperançoso num futuro melhor, só não sei quando! 


domingo, novembro 26, 2017

PENSAMENTO



Pensar é fácil. Agir é difícil. Agir conforme o que pensamos, isso ainda o é mais.
 
 Johann Goethe


sábado, novembro 25, 2017

COMO (NÃO) CUIDAR DO PATRIMÓNIO



O caso do jantar no Panteão já tinha sido infeliz, e tinha sensibilizado a opinião pública para as más práticas que advinham do aluguer de espaços em edifícios classificados como museus e monumentos, mas na altura estavam apenas (?) em causa questões de dignidade dos espaços, mas não eram apenas esses que nos deviam preocupar, pois sempre estiveram também em causa problemas de uso e conservação, que também podem decorrer da ligeireza (necessidade afirmam alguns) em fazer estas cedências de espaços.

Agora veio a público um jantar no Palácio Nacional da Ajuda, e ilustrado com fotos bem elucidativas de más práticas, desde logo porque o número de convivas era demasiado elevado para o espaço cedido, o que devia ter inviabilizado desde logo a sua realização.




Algumas frases atribuídas à assessoria da direcção do Palácio Nacional da Ajuda e/ou ao conselho de curadores do Museu de Arte Antiga é que me deixaram furioso com tudo isto. Pretender que o facto de se verem pratos colocados nos corrimões, mesas de catering “perigosamente juntas aos frescos e tapeçarias” e convidados fotografados “encostados e sentados na parte lateral de um coche secular” eram resultado de haver vigilantes em número insuficiente, é para rir, porque quem autorizou a realização, e determinou a colocação das mesas e de todo o material de apoio, bem como o que se iria passar no decorrer da festarola, foram com toda a certeza técnicos superiores do palácio, e nunca vigilantes, que muitas vezes nem são autorizados a estar nos espaços onde decorrem os eventos.


Sacudir a água do capote é coisa que está na moda, mas é patético estar sempre a bater nos mais fracos quando as coisas dão para o torto, e neste caso, como em muitos outros, os responsáveis não se podem esconder atrás dos subordinados que só obedecem a quem manda.