quinta-feira, agosto 17, 2017

IDADE

O mais importante que aprendi a fazer depois dos quarenta anos foi a dizer não quando é não. 

Gabriel Márquez 


terça-feira, agosto 15, 2017

PATRIMÓNIO DEGRADADO

Foi anunciada ontem a intervenção, urgente, no Templo Romano de Évora, devido ao risco de queda de pedras, pois foi detectado o mau estado de certos elementos pétreos, nomeadamente capitéis de mármore.

Saúda-se a decisão de intervir com urgência neste caso, pois a segurança das pessoas e do Património deve ser sempre uma prioridade de qualquer governo.

Existe pelo menos mais uma situação que nos parece ser merecedora de igual atenção, que é os restauro dos carrilhões do Convento de Mafra, que se encontram há anos seguros por andaimes, porque as madeiras que os suportam estão muito deterioradas. Este restauro anda a ser adiado há pelo menos 3 anos, e nem é bom pensar no que seria algum dos sinos cair durante o horário de funcionamento do monumento.

Carrilhões de Mafra
2.438

domingo, agosto 13, 2017

A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA PARA OS PAÇOS REAIS



Por razões diversas interessei-me pelo abastecimento de água aos Paços Reais, e pelo modo como esse abastecimento era feito, mesmo em tempos muito recuados.

Não vem agora ao caso esmiuçar todos os detalhes, mas sim afirmar que palácios como o da Ajuda, o de Queluz, o da Pena, o de Sintra, ou o das Necessidades, eram abastecidos pelo aproveitamento de águas de fontes e minas, sendo estas águas transportadas por levadas, pequenos aquedutos e outros tipos de condutas, até aos depósitos que serviam cada palácio.

Existem registos dispersos dos diversos abastecimentos mais antigos e existe um livro elucidativo e bem detalhado, datado de 1904, sobre as águas que abastecem os almoxarifados das reais propriedades, sobre este assunto.

Tanto quanto conheço estes antigos abastecimentos foram deixados ao abandono durante muitos anos, e apenas o Paço da Vila de Sintra ainda aproveitava boa parte desse abastecimento, a Pena não aproveita quase nada, e nos restantes nem consegui que alguém me desse alguma informação, parecendo desconhecer totalmente de onde vinham as águas no tempo da monarquia.

Existem vestígios claros na Matinha em Queluz, para não falar do aqueduto, um grande depósito na Ajuda, e uma nora em Mafra, para dar apenas alguns exemplos.



sexta-feira, agosto 11, 2017

FOTOS DE MÁRIO NOVAIS

Não tinha pensado em fazer um post sobre a Exposição do Mundo Português, de 1940, pois há artigos de qualidade sobre o assunto, mas como veio à baila por causa da obra Mário Novais, um excelente fotógrafo que fez  boa parte das fotos aqui exibidas, aqui ficam uns apontamentos.

A fonte monumental que ainda lá está e o edifício que se vê não é evidentemente o Centro Cultural de Belém, que viria a ser construído muitos anos depois.
Uma planta da época onde se podem ver os destaques da Exposição de 1940. 

A Nau Portugal, talvez a atracção que pior sorte viria a ter. (Leia AQUI)

A Torre de Belém, ainda uma construção efémera, que depois viria a ser reconstruída na forma e materiais que hoje ainda podemos ver.

Imagens de algumas das estátuas originais que ladeavam o Padrão, e que serviram de molde para as actuais, já em pedra.

O restaurante dentro do espelho de água ainda lá está e o Museu de Arte Popular também, ainda que seja hoje uma pálida imagem do que já foi.

sábado, agosto 05, 2017

NÃO BRINQUEM COM AS REFORMAS



Partidos, governo, e sindicatos parecem entretidos com jogos florais no que respeita à aposentação, ora aumentando a idade da reforma, ora dizendo que se facilita a reforma a quem tem 48 anos de descontos ou a quem apresente descontos antes dos 15 anos de idade.

Todos sabem que as carreiras contributivas começaram a diminuir, em termos de anos de descontos, já na década passada, porque aumentou a escolaridade obrigatória, e também porque a precariedade e o desemprego a isso conduziram.

Muitos parecem desconhecer a realidade, mas foram muitos a quem foi prometido que ao fim de 36 anos de descontos teriam direito à reforma por inteiro, e a outros que 40 anos de descontos também davam o mesmo direito.

Hoje temos governos, partidos e sindicatos numa discussão inútil, sobre particularidades da carreira contributiva, mas ninguém parece disposto a obrigar o governo a cumprir o que é mais básico, que é honrar os compromissos assumidos no princípio das carreiras contributivas, que se resumia ao número de anos de descontos exigido.

Uns acham que alguns lutam por eles, mas na verdade não vejo nenhum partido a defender claramente as reformas por inteiro aos 60 anos de idade (ou mais) com 40 anos de descontos.
Será que se espera que as gerações actuais vão ter carreiras contributivas de mais de 40 anos?



quinta-feira, agosto 03, 2017

INFORMAÇÃO POUCO RIGOROSA



O Convento de Mafra é uma obra imponente e tem aspectos verdadeiramente magníficos e complexos de realizar, disso ninguém tem dúvidas depois de o contemplar.

Fiquei muito admirado com o que li numa placa informativa localizada na Basílica, que entre outras coisas dizia que (a Basílica) “tem também a primeira cúpula octogonal construída em Portugal”.

A afirmação como estava (não sei se entretanto foi alterada) não é correcta, já que a poucos quilómetros de distância existe outra cúpula octogonal (Palácio da Vila de Sintra), construída em princípios do século XVI.

Creio que talvez quisessem dizer “a primeira cúpula octogonal, inteiramente em pedra, construída em Portugal”.

Já agora refiro que a cúpula em questão, é uma preciosidade, e a sua aparente leveza é enganadora e revela um grande engenho por parte de quem a concebeu, e de quem a realizou.


Cúpula, Basílica de Mafra

S. dos Brasões, Sintra

terça-feira, agosto 01, 2017

OS TEMPOS MUDAM E TAMBÉM AS PESSOAS



Quando em 1976 vim para Portugal com dois filhos nos braços, por não ter condições de segurança para continuar na minha terra, Moçambique, não fui lá muito bem recebido.
Instalei-me numa zona de Lisboa, e fui imediatamente trabalhar porque tinha vindo com uma mão atrás e outra à frente, e as crianças necessitavam de comer e eu não tinha feitio para estender a mão, ou enfrentar filas intermináveis para implorar ajuda.

Recordo-me bem de um jovem que frequentava um café perto da minha porta, com uma barba ainda mal plantada, cabelo grande e de fita na cabeça, quando não usava a boina à Che, que se entretinha a insultar “os colonialistas” que tinham ido explorar os povos indígenas, esquecendo-se que África era dos negros. Nunca perdi muito tempo com as parvoíces de quem falava do que não sabia, porque não valia o esforço.

Quarenta e tal anos depois, eis que me cruzo com um homem abatido, que aparentava ser bastante mais velho do que eu, e que clamava contra o governo, por não ter ainda conseguido ajuda, pedida há mais de uma semana, porque tinha vindo da Venezuela a fugir da instabilidade política e da violência das ruas.

Conversa puxa conversa e lá surgem as recordações, e reconheço neste homem vergado à dureza da vida, o tal jovem revolucionário que não poupava nas palavras para atacar “os retornas” como ele dizia.

Senti pena do João, é esse o seu nome, porque voltou para a sua terra onde já não tem família, uns morreram de velhos, outros de excessos com drogas, de que ele escapou, e resta-lhe a família da mulher que os acolheu em sua casa. Sei que tem esperança de voltar à Venezuela, mas também sei que já nem se recorda do que disse há quarenta e tal anos, e nem sequer me passou pela cabeça recordar-lho.

Os tempos mudam e mudam também as pessoas, é a lei da vida…


sexta-feira, julho 28, 2017

OLHARES

Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste. 

Sigmund Freud

quarta-feira, julho 26, 2017

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO



Em Portugal dá-se, infelizmente, pouca importância à comunicação, que muitas vezes acaba por ser confundida com publicidade.

Recentemente o governo permitiu (?) que as informações sobre os incêndios fossem centralizadas em Lisboa, “libertando” assim os comandantes dos bombeiros da tarefa de informar os órgãos de comunicação social, sobre o andamento das operações.

O resultado tem sido uma verdadeira trapalhada, com comunicações duas vezes ao dia, com uma página da internet com informações que são contrariadas pelos autarcas das regiões flageladas pelas chamas, e noticiários em que os repórteres emitem opiniões pessoais e desabafos dos cidadãos desesperados, aumentando assim o alarme social.

Pode e deve-se controlar a comunicação política, já os factos, como a realidade dramática dos incêndios, não pode nem deve ser escondida ou filtrada, pelo menos do modo agora ensaiado.

Erros como o de não divulgar a lista das pessoas mortas num incêndio, ou sobre a gravidade da queda de um meio aéreo, só descredibilizam as autoridades e o governo. A impressão que fica é a de que se tenta esconder responsabilidades e descoordenação, e é esse o discurso que vai vingar a partir de agora, e era mais do que previsível.